sem alarde
a saudade bate
fica
ainda traz a dor
sua sublime companheira
agora
sem hora
antes de dormir
elas brincam no corredor escuro
perdi a paz por um momento
ainda são crianças
mas crescem ligeiro aqui dentro.
Grito da Poesia
Estava escuro, mas havia seres humanos, tristes, porem com a esperança. Esperança que sol voltaria amanha e uma voz continuaria a gritar.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Passado
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Ainda é
Procuro as palavras,
não há palavras.
elas fugiram e não definiram a vida.
não há lei aqui.
meus companheiros ainda estão nas ruas
resistem, cantam e se inquietam.
o caminho é estreito
mas estamos armados
as flores ainda representam a esperança.
meus poetas estão todos vivos e fervem aqui dentro.
dizem que estou preso
aqui ainda escrevo
meus irmãos estão gritando poesia
é o sinal.
eles não desistem.
um grito frenético pulsa e expande o peito
mas o poeta ainda diz pouco.
ele quer cantar o amor,
a flor que nasce na rocha infértil.
quer gritar a liberdade,
repetir incessantemente que todos estão livres.
ainda há obstáculos,
mas a paz está próxima.
o preço da insistência e da luta é a vitoria.
as migalhas não nós alimentam mais
não estaremos fadados a repetir os mesmos erros
estamos de mãos dadas e não cantamos mais o passado
gritamos que:
ainda é hoje!
podemos mudar, irmãos.
ainda é hoje.
Nosso rio
Meu rio triste perdeu o riso
ele caminha pra morte
meu rio calado já foi sinônimo de vida
e agora chora sozinho porque o amor evaporou aos poucos
e suas águas turvas, solitárias e sem forças
percorrem um volume estreito e sujo.
as pessoas passam
e acham normal o rio não rir.
é preciso revolta, ação.
a cidade dorme, acorda
a vida continua e nada importa
o rio não interfere na riqueza da cidade alta.
em épocas de chuvas fortes
há movimentações passageiras
acham tudo muito solidário.
É sempre assim...
não há fim na aparência
as pessoas humildemente acreditam na bondade hipócrita
e a cidade alta vive tranquila.
o povo realmente é vitima do real e daqueles que mentem
mas há remendos na chuva.
vejam! mais um ano passou
alguns solidários fingiram uma mudança
eles preferem reforma à revolução.
caras novas continuam o ciclo
mas o rio é o mesmo
ainda há promessas?
a ponte silenciosa espreita as latas de coca-cola em queda livre.
muitos e muitos passam, voltam
os peixes morrem sufocados
e assim também é a vida marginal daqueles que tiveram o oxigênio roubado antes mesmo de nascerem.
uma parte da cidade segue cercada. há vigias na escuridão.
as pessoas tingem a vida com a cor barrenta que elas próprias escolheram
tudo em nome da própria ilusão dos papeis.
algumas secas em silêncio
golpearam o pequeno e ja fraco rio
a cidade fica mais quente
há frio em algumas casas.
Quem liga?
quem importa?
aos poucos os irmãos das igrejas se individualizam. Ninguém está olhando.
onde está a solidariedade, o amor e a caridade?
o rio segue seu curso
não aprendemos com a história.
a cidade pode ser mais bonita?
o rio poderia rir largo?
e as casas que devastaram a mata ciliar?
tantos problemas
é melhor deixar tudo isso pra próxima gestão
os rebanhos comem tranquilo a matéria orgânica da cidade
vai tudo para o tapete.
domingo, 30 de novembro de 2014
Poema eterno
Meu velho amigo
que hoje fica mais velho
meu verso é parecido com o seu
nossa amizade não envelhece
e ainda somos os mesmo de antigamente
somos crianças crescidas
com corações pequenos
que querem o mundo todo
inventamos uma nova história
e tudo que foi ainda é
tudo que será
já foi anotado
porque dizem que nascemos separados
mas um poeta falou que no fim
unidos distribuiríamos poesias para o mundo
a verdade é que para descrevê-lo as palavras não bastam
elas são poucas
e preciso de tantas
nem o existir basta
essa vida é pouca
ela não é eterna
mas há solução
porque a palavra não morre
e hoje escrevo um poema
eterno
para você
meu irmão.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Cadeados
Muitas vozes foram oprimidas,
mas elas continuaram enérgicas e pulsantes.
muitos foram mortos e ainda não há paz,
mas a luta continuou e continua
porque a injustiça só se perpetua onde há silêncio
e nós que carregamos o fruto da desigualdade
jamais cessaremos o grito da liberdade.
A força do meu verso
a força do seu verso
e a força da nossa poesia
estará nas ruas desmaquiando toda essa hipocrisia.
A arbitrariedade ainda vive,
mas eles insistem em dizer:
o passado morreu
e esquecem que o futuro é espelho
dos engenhos sem perdão
da mineração gananciosa
da cafeicultura racista
e de toda opressão.
tudo isso vive aqui.
nós gostamos de história e não esquecemos.
mas, irmãos...
nossas vozes ainda roucas e insaciáveis gritam que:
ainda é hoje!
ainda é hoje!
podemos mudar.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Mundo involuntário
Minha poesia é escura e já não vejo a noite
minha poesia que não é minha
é do mundo
das pessoas
e dos corações solitários.
não rimarei meu verso seco
com suas palavras aguadas
nem cantarei a solidão
ela que refugia os grandes corações
e alimenta os pequenos desiludidos.
Não cantarei o ódio
porque ele não é eterno
cantarei a poesia
poesia que sufoca os homens e liberta as crianças
poesia que cria um mundo e o torna
perfeito.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Pássaros
Então vai e voa
leva meu tempo
carrega meu amor
não se perca
forma insegura.
os ventos são tortos
e seus olhos estão turvos
eles procuram alguém
há esconderijos aqui.
suas asas
ainda fracas
resistem e lutam
essas correntes enganam.
os galhos são poucos
são poucos os amigos
ainda assim
há muitos passarinhos aqui
outro ninho me espera.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Um dia
Um dia alguém questionou
ousou
disse:
por quê?
a omissão é a própria opressão
esperar é apenas uma esperança
mas lutar
é tentar, tentar e
vencer
nos somos o poder.
Aleitor
Queria escrever sobre o céu
sobre as nuvens,
árvores?
Mas decidi escrever apenas alguns versos
versos secos que você lê
e admira o céu
e admira as nuvens
e admira essa monotonia
admira as estrelas sem ver
você, videota...
admira a própria miséria do tempo!
É preciso uma imagem para olhar a beleza ao seu redor?
Que vida.
anatural
Não falem da desigualdade naturalmente
da fome naturalmente
da guerra naturalmente
da violência naturalmente
da injustiça naturalmente.
Não falem naturalmente isso é normal.
Não se acomode com esse mundo mudo.
muitos assistem, sentam.
Eles chamam natural
a fome que existe nesse mundo desigual
chamam normal
o desemprego estrutural
anunciam uma classe dividida
pregam que nada pode mudar
mas deus não quis assim,
você ainda pode ser
ainda pode dizer, gritar:
não é natural, não é natural!
O mundo está de cabeça para baixo
averso
mas ainda há flores nas pedras.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Pétalas
Minha flor
incompleta
sem pétala
sem amor
nada.
o vento carregou uma parte,
mas você está aqui
mesmo imperfeita
flor que não quis ser.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Não importa
Que mil olhos me vejam no escuro
que a solidão seja leve
assim como a terra.
que mil almas me sigam
estarei perdido
na noite me liberto
na madrugada sou livre
o dia não veio
não veio o perdão
não veio o amor
não veio nada.
as lagrimas não choram e o mar
o mar secou,
a vida secou
secaram os amigos,
o ódio.
não há caminho,
há apenas atalhos errados
me perco no labirinto escuro
no labirinto sem saída
eles tinham razão
me sufoco
fujo até a ilha de Morus
era tudo mentira
mentira mentira
me tira daqui
quero oxigênio, não apaguem as luzes!
meu coração ainda bate, bate ligeiro
mas ele cansa...
cansa rápido. para. para.
separa de mim
e não volta mais.
E aquilo que não traz destino não importa.
me diviso agora
estou sendo partido e não resisto
não resisto a toda essa mentira.
cadê o amor?
e a utopia?
talvez o mundo tenha esperança
e ainda há poesia.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Mar do amor
Não há águas infindas no mar do amor
no mar de amar.
Não há na infinitude da vida
alguém que viveu sem amor
que escreveu
e não falou
do mar
do sabor
de amar
e se no céu do azul,
alguém no meio do oceano
para cima olhou
gritou e falou: amei, vivi...
morri, de amor.
O poeta
Dedicado a Antonio Franscisco
O poeta chega.
observa o mundo
escreve.
escreve o sorriso alheio,
a paixão alheia,
a sua vida.
o poeta conhece o amor
e compartilha esse sentimento
o poeta está vivo
não esperemos o mal irremediável
cantemos o amor
enquanto ha tempo.
Moço, por quê?
Uma mulher que segura bandeira partidária.
É mei-dia moço
estou com a barriga vazia
é mei-dia moço, tenho fome
ei moço, você vai mangar de mim?
ganho uma mixaria, mas é mei-dia.
Moço, eles me dão pouco
tão pouco que preciso levar minha famía
não há perdão.
Ei moço, por que é assim?
é mei-dia e não sei o que fazer
se por falta de amor ou por falta de querer
é mei-dia, já não sei o que cantar
já não sei o que falar
já não sei me expressar
me roubaram o direito de viver
antes mesmo deu nascer
essa terra já tinha dono
e ainda é mei-dia
moço, por que o sol não dorme?
domingo, 31 de agosto de 2014
Avante
Avante, irmão!
Avante que a luta não acabou
avante, irmão!
Avante que a luta apenas começou.
Até a vitoria não recuaremos
avante irmão!
Já vejo a aurora
Avante irmão que o dia nasceu
O sol ainda brilha para todos
Avante irmão!
Não vê que o sol é socialista?
Podemos mudar o hoje, irmão!
Avante! Avante!
Até que tudo cesse
que todos tenham acesso a poesia
não cessaremos
Ate que todos possam amar livremente
ate que todos vençam o medo
ate o fim,
até a utopia infinda
não cessaremos de lutar.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Sociedade do espetáculo
Não sou livre
sou escravo de mim mesmo
sou prisioneiro dos meus sonhos
vivo na minha própria cadeia
chamada vida
sem chaves,
cadeados.
Tenho medo da liberdade,
do amor
me criaram assim
me fizeram assim
e ainda
querem que eu seja doutor.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
domingo, 24 de agosto de 2014
Biblioteca escura
Estavam calados
mas havia pessoas
estavam escuros
mas havia luz
vida
havia palavras
eternas
Incansáveis
frenéticas
revolucionárias.
Havia liberdade
liberdade para poder encontrar
a chave da imaginação,
para buscar
o fim das palavras
infindas.
